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Polêmicas

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Publicado em 23/07/2015, às 06h47 - Atualizado em 13/01/2021, às 09h34 por Com a Palavra


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Detesto. Detesto gente agressiva, gente que perde a cabeça durante uma conversa, durante uma troca de ideias. Detesto. Fico mais irritada com isso do que com uma ideia contrária à minha. Porque eu parto do princípio de que, talvez, eu não tenha olhado por um outro ângulo. Adoro conversas agregadoras, com ideias que respeitem umas às outras, por mais conflitantes que possam ser. Agressividade gratuita eu simplesmente desligo. Me desligo. Bypass. Delete. Block.

Outro dia ouvi uma turma de mães indignaaadas com outras mães que – pasmem! O absurdo! – têm babá. Como sou uma mãe que tem babá, e que detesta entrar em polêmica, bem calei a boca, mas acionei meus ouvidos, que de ruins não têm nada, e fiquei anotando respostas possíveis na nuvem que pairava sobre minha cabeça.

O que mais me chocou foi que em pleno 2015 há gente que não entende (ou finge não entender?) a realidade de 99,9% das mães do Brasil (atenção: esse número não é de acordo com estudo algum). Mas vamos lá. Argumentos do tipo “se é para não criar, pra que ter?” me causam estranheza. Desde quando uma mãe que trabalha não pode ter filho? Ou ajuda com um filho? Ou precisa largar sonhos e realizações para ser mãe? Coisa mais antiga, gente. Seria melhor ter uma avó que ajudasse? Opa, se seria. Mas veja que espanto!: Tem mãe que não tem mãe! E hoje em dia, muitas são as avós que – ai, que absurrrrrrrdo! – trabalham. Porque a vida não está fácil pra ninguém. E mesmo que estivesse!

O fato de mães trabalharem, seja por necessidade, seja por – ai, que horror! – prazer (sem contar a necessidade do prazer!), de maneira alguma tira delas algumas coisas. Primeiro: o amor incomparável que sentem pelos filhos; segundo: a culpa doída por não estarem com eles; e terceiro: vontade de ter mais filhos.

Eu sonho com mais um filho. Mesmo. As chances são pequenas por uma série de motivos, mas eu sonho, sim. Seriam três. Com babá, amigos, tia, quase-madrinhas e padrinhos… porque nem sempre a família da gente é aquela na qual nascemos. Muitas pessoas têm a sorte de poder escolher suas famílias. Eu escolho a minha todos os dias: meu marido, meus filhos e um bando de agregados que nos amam, nos respeitam. E entendem que, para eu ser uma mãe melhor, eu preciso trabalhar. Meus filhos sabem disso. Meu marido sabe disso.

Eu sou uma pessoa melhor quando estou produzindo, quando estou trabalhando. Com um peso enorme de culpa e de saudade? Sim. Mas eu duvido que alguém diga que meus filhos sejam pessoinhas mal-amadas, malcriadas, tristes, abatidas, malvestidas, malcuidadas. E é pela babá? É também (mas veja bem, meu bem, quem a escolheu fui eu!). E tudo certo. Porque filho é também nossa turma! É fácil – e também horroroso – julgar o próximo. Só que o outro do outro é a gente mesmo. Guardemos o soco inglês!


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