Temendo que o vírus zika se espalhe pelos Estados Unidos, o presidente do país, Barack Obama, pediu pressa no desenvolvimento de tratamentos e de uma vacina contra a doença. Nesta terça-feira (26), ele se reuniu com assessores de saúde e segurança nacional para discutir o surto nas Américas. Além da pressa com a imunização, autoridades intensificaram o estudo sobre a possível ligação entre o zika e casos de bebês com microcefalia.
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Na segunda-feira, a OMS (Organização Mundial da Saúde) estimou que o vírus vai se espalhar por toda a América, com exceção de Canadá e Chile e, para evitar que isso aconteça, autoridades emitiram um alerta a mulheres grávidas, pedindo que elas evitem viagens ao Brasil e a outros 13 país da América Latina e Caribe.
Um estudo feito por médicos do Canadá estima que 60% da população norte-americana são vulneráveis ao vírus e, em comunicado, a Casa Branca informou sobre o pedido do presidente sobre a vacina e divulgou que Obama pediu informações sobre o vírus zika para todos os americanos.
No Brasil, médicos e cientistas também correm contra o tempo para desenvolver tratamentos para o zika. A UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) está fazendo uma pesquisa com um fitocomplexo (produto natural derivado de plantas) que possui uma ação antiviral contra a doença. A pesquisa ainda está na fase de testes in vitro, mas já foi verificada uma diminuição grande da replicação do vírus depois de aplicado o produto.
O trabalho está sendo realizado por dois grupos que trabalham juntos, um liderado por Davis Ferreira, vice-diretor do Instituto de Microbiologia da UFRJ, e o outro orientado por Edimilson Migowski, chefe do Serviço de Infectologia Pediátrica da UFRJ.
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Migowski afirmou que ainda não pode divulgar o nome da planta da qual foi derivada o fitocomplexo, pois o estudo está em andamento, mas que “a sabedoria popular já sabia que ela podia afastar o zika”. O estudo será divulgado cerca de 10 a 15 dias depois do Carnaval.
“O fitocomplexo terá duas finalidades: a terapêutica, quando se usa o medicamento pra tratar, e a profilática, quando se faz o uso contínuo do produto”, estimou o infectologista. Fazendo o uso contínuo do produto, a ação antiviral impedirá que o vírus seja replicado para mais pessoas.
Se for comprovado que o medicamento inibe a replicação, a fêmea do Aedes aegypti (mosquito transmissor do zika vírus) pode picar uma pessoa que tomou o fitocomplexo, mas ela não vai transmitir a doença, porque não portará vírus suficientes para passar a doença a outras pessoas. “O que eu vejo de mais promissor não é nem a vacina para daqui a três ou quatro anos. É o antiviral no mês que vem”, disse Migowski.
Depois dos testes in vitro, o fitocomplexo será testado em cobaias, como fêmeas de porquinhos-da-índia, prenhas.
O público-alvo, segundo o infectologista, será as gestantes. Caso seja aprovado, o fitocomplexo será consumido via oral, funcionando como um complemento alimentar que afasta o zika. Migowski afirmou que o produto natural estará ao alcance das gestantes rapidamente, pois acredita que, se funcionar, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) dará logo o registro do medicamento.