Por Dr. Rodrigo Rosa Filho 11/12/25

Excesso de peso corporal tem sido associado a maior risco de infertilidade mesmo em mulheres com ciclos menstruais regulares, mas redução excessiva do percentual de gordura também bagunça hormônios reprodutivos

Já é muito divulgado que estar acima do peso pode representar um risco para a fertilidade, diminuindo as chances de gravidez. Mas, do outro lado da balança, nessa nova onda de emagrecer a qualquer custo, a magreza extrema também é prejudicial.

A ovulação e a função reprodutiva são eventos biológicos dependentes das reservas energéticas do corpo. Não só o peso em específico, mas principalmente a composição corporal e a distribuição de gordura no corpo, além da qualidade da dieta e o sedentarismo, podem, sim, estar ligados à infertilidade feminina.

Extremos na composição corporal (magreza e obesidade) são perigosos.

Sobre o excesso de peso corporal, o risco é de distúrbios ovulatórios, que representam 25 a 50% de todas as causas de infertilidade em mulheres, e uma proporção significativa está direta ou indiretamente relacionada ao sobrepeso e à obesidade. De forma geral:

  • O excesso de peso é associado à anovulação (termo que define a ausência de ovulação).
  • Além disso, quando ocorre a gravidez, aumenta-se o risco de diabetes gestacional ou pré-eclâmpsia (aumento da pressão arterial na gestação).

A mulher que deseja engravidar, se apresentar alterações metabólicas como obesidade e resistência insulínica ou histórico familiar de diabetes, deve ser encorajada a fazer mudanças imediatas no hábito alimentar para ajudar nas chances de concepção e na prevenção de doenças durante a gestação.

Existem dietas que aumentam as chances de gravidez na fertilização in vitro (Foto: Freepik)

Por outro lado, a magreza extrema pode afetar também o equilíbrio hormonal e o funcionamento do ciclo menstrual. Hoje não é incomum ver mulheres querendo diminuir o percentual de gordura abaixo dos 10%. Dependendo desse percentual, podem ocorrer:

  • Alterações no eixo hipotálamo-hipófise-ovariano, de forma que o corpo entende que não há condições adequadas para uma gestação, além de predispor à anovulação.
  • Também há um risco de amenorreia hipotalâmica funcional, condição comum em mulheres com baixo peso, atletas ou que sofrem de distúrbios alimentares. A menstruação desaparece não por uma alteração nos órgãos reprodutivos, mas por um ‘bloqueio’ do cérebro devido ao estresse metabólico e à escassez de energia. Sem menstruação, não há liberação regular de óvulos.
  • A magreza extrema também atua na redução de leptina, hormônio que ajuda a regular o apetite. A leptina em queda suprime ainda mais o eixo reprodutivo, dificultando a concepção.
  • E, mesmo que ocorra a fecundação, a deficiência de nutrientes, vitaminas lipossolúveis e gordura corporal pode comprometer o desenvolvimento adequado do endométrio (a camada do útero onde o embrião se fixa).

O melhor a fazer é buscar ajuda médica de um especialista em reprodução humana, bem como readequar a dieta com orientação de um nutricionista e, de preferência, buscar fazer atividade física supervisionada por um profissional de educação física.