Entre as diversas polêmicas que apresentadora e chef Bela Gil já lançou em sua página do Facebook, uma gera discussão até hoje: o uso da cúrcuma no lugar do creme dental para higienização dos dentes. As opiniões sobre o assunto são diversas. O debate da questão, porém, ficou num segundo plano. Por isso, ouvimos dua especialistas para entender se essa é uma atitude razoável ou uma excentricidade.
Um dos argumentos de Bela dizia que, apesar das manchas amarelas deixadas na escova e nas toalhas pela cúrcuma (ou açafrão-da-terra), isso não se repetiria na boca. A dentista Karina Melo Azevedo Racca, da KR Saúde Bucal, explica que há controvérsias.
“A questão é que o esmalte dental tem porosidades naturais, que podem aumentar com a ingestão de alimentos cítricos, por exemplo. E se você consome qualquer alimento pigmentado (caso da cúrcuma), acaba existindo o risco de essa pigmentação atingir o esmalte”, comenta.
Outro ponto que gerou burburinho, sobretudo entre as associações de Odontologia, foi quando a chef escreveu em seu blog que preferia a cúrcuma, pois o flúor – presente em boa parte dos cremes dentais – era um “porcarito”. “Nessa questão, é preciso ter sensatez”, ressalta a odontopediatra Thelma Parada, que é nossa embaixadora.
De acordo com Thelma, Bela Gil segue uma linha muito natural, então é preciso respeitar sua postura. “Até porque ela não está errada neste ponto. Assim como há uma legião de defensores do flúor, há outra que o aponta como vilão, e todos estão embasados por pesquisas.”
A odontopediatra não chega a indicar a cúrcuma. No entanto, deixa claro que se alguém chega ao seu consultório e rejeita o flúor, ela simplesmente recomenda uma escovação apenas com escova e água. “Que é o que faz a diferença na limpeza”, elucida. A dentista Karina Racca também endossa a questão da higiene sem pasta, mas alega que a presença flúor teria outro significado.
“O flúor é o principal agente químico na prevenção de doenças bucais, principalmente da cárie. A função dele não é limpar, mas proteger”, diz. Thelma, por sua vez, menciona que até mesmo essa proteção depende de algumas variáveis. Ela indicaria apenas para crianças que têm alto consumo de doces, aquelas que os pais se responsabilizam pela escovação – para evitar que elas engulam a pasta – ou aos pequenos acima dos sete anos.
Além do terreno delicado do flúor, Bela Gil também defendeu sua opção pela cúrcuma porque não continha sulfato, adoçantes, goma xantana e outros elementos das pastas industrializadas. Nesse caso, a informação é o segredo do negócio, conforme Karina.
“Cada vez mais temos acesso aos dados do que consumimos. Cabe a nós pesquisarmos se a marca de creme dental que usamos está repleta de ingredientes desnecessários ou até maléficos a nossa saúde”, finaliza.
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