Há alguns anos, parecia que inteligência artificial era coisa de filme.
Certamente, ela estava restrita ao universo adulto, às empresas de tecnologia e àquelas notícias que a gente via de forma constante na TV.
Mas a realidade mudou, e rápido. Hoje, crianças e adolescentes fazem parte da geração que já conversa com IA, estuda com IA e até desabafa com IA.
De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, divulgada pelo Cetic.br, quase dois terços dos brasileiros entre 9 e 17 anos já utilizam ferramentas como chatbots, geradores de texto e aplicativos que criam imagens.
É uma tecnologia que entrou silenciosamente nas rotinas e que agora influencia a forma como essa geração aprende, cria conteúdo e se expressa emocionalmente.
Mas como acompanhar essa novidade com cuidado e diálogo?
Como as crianças estão usando a inteligência artificial?
Realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, a 12ª edição da pesquisa revela que 59% das crianças e adolescentes recorrem à IA para realizar pesquisas escolares ou estudar.
Além disso:
- 42% dizem usar para buscar informações
- 21% para criar textos ou imagens
- 10% chegam a conversar com IA sobre sentimentos e problemas pessoais
Esse último número, apesar de pequeno, é muito significativo, afinal, ele indica que a tecnologia, para alguns jovens, virou amizade, companhia.
E o smartphone é soberano nesse quesito: 96% desse público usa o aparelho para acessar a internet. Mas com a nova lei que restringe o uso do celular nas escolas, o acesso dentro do ambiente de aprendizado caiu para 37%.
O que desloca ainda mais essa interação para casa, quarto e momentos sozinhos.
Por isso, a presença dos pais no digital é tão essencial quanto o controle.
O perigo das redes sociais
O universo das redes continua sendo onde os jovens mais passam tempo: ou seja, no WhatsApp, YouTube, Instagram e TikTok.
E quanto mais tempo conectados, mais anúncios aparecem, seja de jogos, de eletrônicos ou de outros produtos, muitos deles disfarçados de entretenimento.
A pesquisa indica:
- 55% já viram anúncios em redes
- 53% dos adolescentes assistiram a vídeos promovendo jogos de aposta
- 21% já gastaram dinheiro em jogos
- 51% pediram produtos após ver propaganda
Isso nos faz pensar no quanto nossas crianças já são consumidoras ativas. E, às vezes, sem perceber.
O que fica para nós, mães e pais?
A infância hoje é digital, queira a gente ou não. O que muda é o jeito como vamos caminhar junto com os nossos filhos nessa tela que não desliga nunca.
Mães e pais presentes, conversas abertas e curiosidade genuína continuam sendo as melhores ferramentas para se ensinar e ajudar as pessoas.
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