Por Camila Pusiol 10/12/25

Há alguns anos, parecia que inteligência artificial era coisa de filme.

Certamente, ela estava restrita ao universo adulto, às empresas de tecnologia e àquelas notícias que a gente via de forma constante na TV.

Mas a realidade mudou, e rápido. Hoje, crianças e adolescentes fazem parte da geração que já conversa com IA, estuda com IA e até desabafa com IA.

De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, divulgada pelo Cetic.br, quase dois terços dos brasileiros entre 9 e 17 anos já utilizam ferramentas como chatbots, geradores de texto e aplicativos que criam imagens.

É uma tecnologia que entrou silenciosamente nas rotinas e que agora influencia a forma como essa geração aprende, cria conteúdo e se expressa emocionalmente.

Mas como acompanhar essa novidade com cuidado e diálogo?

Como as crianças estão usando a inteligência artificial?

Realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, a 12ª edição da pesquisa revela que 59% das crianças e adolescentes recorrem à IA para realizar pesquisas escolares ou estudar.

Além disso:

  • 42% dizem usar para buscar informações
  • 21% para criar textos ou imagens
  • 10% chegam a conversar com IA sobre sentimentos e problemas pessoais

Esse último número, apesar de pequeno, é muito significativo, afinal, ele indica que a tecnologia, para alguns jovens, virou amizade, companhia.

E o smartphone é soberano nesse quesito: 96% desse público usa o aparelho para acessar a internet. Mas com a nova lei que restringe o uso do celular nas escolas, o acesso dentro do ambiente de aprendizado caiu para 37%.

O que desloca ainda mais essa interação para casa, quarto e momentos sozinhos.

Por isso, a presença dos pais no digital é tão essencial quanto o controle.

O perigo das redes sociais

O universo das redes continua sendo onde os jovens mais passam tempo: ou seja, no WhatsApp, YouTube, Instagram e TikTok.

E quanto mais tempo conectados, mais anúncios aparecem, seja de jogos, de eletrônicos ou de outros produtos, muitos deles disfarçados de entretenimento.

A pesquisa indica:

  • 55% já viram anúncios em redes
  • 53% dos adolescentes assistiram a vídeos promovendo jogos de aposta
  • 21% já gastaram dinheiro em jogos
  • 51% pediram produtos após ver propaganda

Isso nos faz pensar no quanto nossas crianças já são consumidoras ativas. E, às vezes, sem perceber.

O que fica para nós, mães e pais?

A infância hoje é digital, queira a gente ou não. O que muda é o jeito como vamos caminhar junto com os nossos filhos nessa tela que não desliga nunca.

Mães e pais presentes, conversas abertas e curiosidade genuína continuam sendo as melhores ferramentas para se ensinar e ajudar as pessoas.

Muito antes de qualquer senha, limitação, bloqueio ou regra.

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