Por Camila Pusiol 17/12/25

De vez em quando, a ciência traz descobertas que parecem até “fofas” de ler e essa é uma delas.

Um estudo da da Universidade Jaguelônica, na Europa, encontrou uma associação entre ter filhas mulheres e a maior longevidade dos pais. Ou seja, pais de meninas podem viver mais.

Mas antes de transformar isso em regra (ou em superstição), vale entender de onde vêm os dados, o que foi observado pelos cientistas e quais cuidados precisamos ter ao interpretar.

O que exatamente o estudo analisou?

Para entender os fatores que influenciam a longevidade paterna, os pesquisadores avaliaram o número total de filhos, a diferença entre meninos e meninas e a expectativa de vida dos pais ao longo dos anos.

O resultado mostrou que ter muitos ou poucos filhos, de forma geral, não impactou a longevidade, assim como ter mais descendentes homens também não apresentou efeito significativo.

A correlação, nesse caso, apareceu especificamente com o número de filhas.

De acordo com a pesquisa conduzida pela Universidade Jaguelônica, cada filha estaria associada a um aumento médio de cerca de 74 semanas na expectativa de vida do pai.

O que isso significa (e o que não significa)?

É importante reforçar um ponto essencial: o estudo aponta uma associação, não uma relação de causa.

Ou seja, os dados não permitem afirmar que ter filhas “faz” o pai viver mais. Eles indicam apenas que, dentro da amostra analisada, pais com mais filhas viveram, em média, mais tempo.

Os próprios especialistas destacam a necessidade de mais pesquisas para entender os motivos disso.

Algumas hipóteses indicam que a experiência de criar meninas pode trazer benefícios psicológicos para os pais, ao influenciar positivamente atitudes e comportamentos ao longo da paternidade.

Pais que criam filhas tendem a relatar melhor bem-estar emocional, além de maior abertura para expressar sentimentos e dialogar sobre emoções, já que eles costumam desenvolver mais empatia e sensibilidade emocional, tornando a comunicação mais afetiva e fortalecendo a inteligência emocional.

Mudanças no comportamento desde a primeira infância

Pesquisas também observaram diferenças na forma como pais interagem com filhos e filhas desde os primeiros anos de vida. De maneira geral, pais de meninas tendem a:

  • usar linguagem mais emocional;
  • se envolver em comportamentos mais afetuosos;
  • cantar, conversar e nomear sentimentos com mais frequência.

Já pais de meninos costumam adotar brincadeiras mais físicas e linguagem associada a conquistas.

Estudos de neuroimagem apontam, inclusive, respostas cerebrais diferentes dos pais diante das expressões faciais de filhos e filhas, incluindo choros, risadas e caretas.

O papel do cuidado e do vínculo afetivo

Esses achados dialogam com a chamada Hipótese da Dependência Social da Longevidade, que sugere que assumir papéis de cuidado pode favorecer vidas adultas mais longas e saudáveis.

Um dos fatores associados a esse processo é a ocitocina, hormônio ligado ao vínculo afetivo, que:

  • ajuda a reduzir estresse e inflamação;
  • fortalece o sistema imunológico;
  • está relacionada ao bem-estar emocional.

Embora o estudo destaque diferenças associadas às filhas, especialistas reforçam que o fator central parece ser o vínculo, não o gênero da criança.

Portanto, cuidar, participar, estar emocionalmente disponível e construir relações afetivas sólidas são elementos que fazem diferença. Isso vale para pais de meninas, de meninos e para todos os membros da família.

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