Por Bianca Rocha 21/01/26

Nos últimos anos, as vendas do óleo de coco dispararam. A expectativa é de que continuem crescendo cerca de 7% ao ano até 2033. O uso é tão crescente, que além de adultos, muitos pais utilizam em seus filhos, sem prescrição médica.

O assunto divide opiniões, porque para um corpo em desenvolvimento todo cuidado é pouco. De acordo com a Parents, especialistas em alimentação natural e atletas costumam exaltar os efeitos antioxidantes e energéticos do óleo.

Mas, pesquisadores da Universidade de Harvard e da American Heart Association (Associação Americana do Coração) apontam que ele pode prejudicar a saúde do coração.

Óleo de coco como “alimento saudável”

Em aspectos positivos e termos culinários, a solução é excelente. Ele possui um ponto de fumaça alto, o que significa que não queima facilmente em altas temperaturas, além de deixar bolos e assados crocantes e leves.

Também pode ter alguns benefícios à saúde, ainda que limitados. Extraído da polpa do coco, o produto é considerado um alimento de origem vegetal, normalmente recomendado por médicos e nutricionistas tanto para crianças quanto para adultos.

Os cocos contêm antioxidantes e fitoquímicos que fortalecem o sistema imunológico e podem ajudar na prevenção de doenças, incluindo alguns tipos de câncer.

O óleo de coco é indicado a crianças? veja o que especialistas relatam| Imagem: Freepik

Olho de coco x colesterol

Ainda segundo a Parents, a principal preocupação dos especialistas é o alto teor de gordura saturada presente no óleo. A gordura é maior do que o encontrado na manteiga ou na banha.

As gorduras saturadas estão associadas ao aumento do colesterol, que quando atinge níveis elevados pode está ligado a um maior risco de doenças cardíacas.

Um professor de Harvard chegou a chamar a solução de “veneno puro” devido ao seu alto conteúdo de gorduras saturadas. Mesmo após a análise de mais de 100 estudos, a American Heart Association desaconselha o uso.

De acordo com a instituição, o consumo desse óleo eleva o colesterol “ruim” e não oferece benefícios comprovados para o coração, ao contrário de outros, como o de oliva, que são reconhecidamente saudáveis.

Cuidado para a pele

Apesar das críticas sobre o consumo, o óleo de coco se destaca quando é aplicado na pele. Pesquisas indicam que seu uso tópico pode reduzir o risco de infecções e melhorar a condição da pele, além de auxiliar no ganho de peso de bebês prematuros.

Para a American Academy of Pediatrics (AAP), a solução amolece a crosta láctea nos bebês, enquanto o Children’s Hospital of Philadelphia sugere utilizá-lo como loção para massagens relaxantes em crianças.

Como usar o óleo de coco

Ele pode ser um ótimo complemento na dieta familiar quando consumido com moderação. Também é excelente para a pele e absorve bem os ácidos graxos sem causar danos. Algumas sugestões de uso:

  • Alterne a solução com outras fontes de gordura ao preparar alimentos e bolos;
  • Tenha cautela com afirmações exageradas sobre os benefícios do óleo de coco em produtos industrializados;
  • Aumente a ingestão de gorduras mono e poli-insaturadas na dieta das crianças;
  • Faça um exame de colesterol em crianças entre 9 e 11 anos;
  • O acúmulo de placas nas artérias pode começar na infância e se intensificar ao longo da vida, aumentando o risco de doenças cardíacas;
  • Aproveite o óleo de coco diretamente na pele.

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