Devido alguns percalços da vida, a Lídia Lopes parou de estudar enquanto era jovem. No entanto, o seu desejo de concluir o ensino médio nunca foi embora. Sendo assim, após 35 anos sem frequentar uma escola, a mulher decidiu retomar os estudos e se matriculou na mesma instituição que o neto de 20 anos, o Willans Oliveira. Ambos se formaram no início deste ano, após concluírem o 2º grau, em uma escola na cidade de Ananindeua, no Pará.
“Eu me casei muito cedo, parei de estudar para cuidar da minha família. Mas quando fui fazer a matrícula do meu neto no EJA (Educação de Jovens e Adultos), o diretor me perguntou se eu teria interesse em voltar a estudar e só pensei: ‘como voltar para a escola agora’?!”, disse Lídia, em entrevista ao R7.
Embora os questionamentos se fizessem presente nos pensamentos de Lígia, ela, com muita determinação, conversou com toda a família para expressar o desejo de voltar ao ensino médio. “Falei com meu marido, com os meus filhos e as minhas irmãs e todos me apoiaram, me incentivaram e meu neto ficou muito feliz, como criança que ganha um doce”, falou.

A avó matriculou o neto no EJA, pois, o Willans foi diagnosticado com TDAH com apenas dois anos de idade. Por conta desse diagnóstico, durante toda a vida escolar do Willians, ele sofreu preconceito e bullying. Tais ataques fizeram com que o rapaz tivesse o desejo de abandonar a escola, sendo assim, ele teve que concluir o ensino médio pela Educação para Jovens e Adultos.
“Eu sempre cuidei do meu neto, aos 4 anos ele foi para a escola, eu levava os laudos na matrícula e, até ele completar 13 anos de idade, não tivemos problemas com a escola. Um dia, ele me perguntou se era doido, me disse que os meninos não queriam amizade e que sofria bullying. Aos 15 anos, Willans decidiu parar de estudar e eu respeitei a decisão dele”, complementou.
Os dois concluíram o ensino médio pelo EJA (Educação de Jovens e Adultos) pelo Sesi. Mesmo durante a pandemia da Covid-19, os dois continuaram os estudos de maneira online.
“Estudar com meu neto foi uma alegria, ele fez amigos, me cobrava para estudar, para entregar as tarefas; muitas vezes eu terminava de lavar a louça e ele já estava me esperando para fazermos juntos as atividades. […] Agora, o meu sonho é ver meu neto trabalhando com computação, a área que ele pretende seguir”, finalizou.