Durante o isolamento social, as mães assumiram mais responsabilidades no cuidado das crianças e nas tarefas domésticas do que os pais. É o que aponta um estudo do Instituto de Estudos Fiscais (IFS) e da Universidade College London, Reino Unido, feito com mais de cinco mil famílias.
De forma geral, o estudo mostra que tanto pais como mães estão sob pressão. Antes da pandemia, segundo o IFS, os pais passavam em média 5h30 cuidando das crianças e 6h30 trabalhando. Agora, as mães estão, em média, dedicando-se ao trabalho remunerado apenas duas horas por dia, enquanto os pais dedicam quatro horas. Porém, elas têm dedicado mais de 10 horas ao cuidado com as crianças, e quase quatro horas com o trabalho doméstico, enquanto os pais gastam oito horas cuidando dos filhos e 2 horas com a casa.
Há uma sobrecarga para as mães. O estudo diz que durante 47% do expediente, elas precisam conciliar atividades profissionais com outros afazeres de casa (quase sempre relacionadas aos filhos). Para os pais, este índice é de 30%. Elas também são interrompidas duas vezes mais do que os homens.

Para os cuidado com as crianças, os pesquisadores consideraram o cuidado ativo (atividades como dar banho, colocar para dormir e brincar) e os cuidados passivos (estar no mesmo cômodo que o filho, garantindo sua segurança sem interagir diretamente com ele).
A única situação em que pais e mães dedicaram o mesmo tempo no cuidado com as crianças e tarefas domésticas foi quando o pai estava desempregado e a mãe tinha um trabalho remunerado. Mesmo assim, a carga total de trabalho da mulher foi muito maior. ‘O grande aumento na carga de cuidado com as crianças das mães na quarentena, enquanto muitas tentam conciliar isso com o trabalho remunerado, provavelmente colocará uma enorme pressão no bem-estar delas’, diz o estudo.

Os dados são da Inglaterra, mas é possível imaginar que o cenário seja parecido no Brasil. Dados da pesquisa “Outras Formas de Trabalho”, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, em 2018, enquanto as mulheres dedicavam em 21,3 horas semanais a afazeres ou cuidados, a carga dos homens era de 10,9 horas.
Os pesquisadores alertam que essa redução no tempo que as mulheres dedicam ao trabalho remunerado em meio à crise pode prejudicar suas carreiras e aumentar ainda mais a diferença salarial entre os gêneros quando a quarentena acabar.
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