Nesta terça-feira, 24 de março, a Meta realizou o evento Tela Consciente, um encontro que reuniu mães, pais, especialistas e criadores de conteúdo para discutir um dos maiores desafios da parentalidade atual: como equilibrar o uso de telas por crianças e adolescentes de forma segura, saudável e realista.
A proposta foi clara desde o início: ir além do “pode ou não pode” e oferecer caminhos práticos para as famílias lidarem com o universo digital. Durante o encontro, a empresa também apresentou atualizações das chamadas Contas de Adolescente, que começaram a ser disponibilizadas no Brasil em 2025 e vêm sendo aprimoradas com foco em segurança e supervisão.
Para quem acompanha de perto esse tema, uma coisa ficou evidente: tecnologia ajuda, mas não faz tudo sozinha. Como resume Beto Bigatti, pai de Gianluca e Stefano e colunista da Pais&Filhos, que esteve no evento: “As ferramentas de controle parental são aliadas necessárias. Mas elas funcionam muito melhor quando existe vínculo e diálogo entre pais e filhos”.
Mais proteção desde o primeiro acesso
Um dos principais pontos abordados foi a criação de uma experiência digital mais segura “por padrão”. Ou seja: adolescentes entre 13 e 17 anos já entram automaticamente em configurações mais restritas, sem que os pais precisem ativar nada manualmente.
Entre as medidas estão:
- Contas privadas por padrão
- Filtros mais rigorosos para palavras e conteúdos sensíveis
- Limitação de interações com desconhecidos
- Controle sobre quem pode enviar mensagens ou marcar o adolescente
Além disso, conteúdos considerados sensíveis — mesmo quando permitidos — passam a ser menos recomendados em áreas como Explorar e Reels.
Outro destaque é o incentivo ao equilíbrio no uso: adolescentes recebem lembretes para sair do aplicativo após determinado tempo e contam com o modo descanso, que silencia notificações durante a noite.
Para Andressa Simonini, CEO da Pais&Filhos, filha de Branca Helena e Igor, esse tipo de recurso faz diferença no dia a dia das famílias: “Ter ferramentas que apoiem pais e mães na vigilância das redes sociais é fundamental, esse suporte pode trazer cada vez mais um mínimo de tranquilidade dos adolescentes no ambiente digital”.

Supervisão parental: presença sem invasão
Abrindo os debates do evento, o painel sobre supervisão parental trouxe uma discussão essencial: como acompanhar os filhos no ambiente digital sem transformar esse cuidado em controle excessivo.
Com participação de Tiago Koch, pai de Iara e da Nalu, naturólogo de formação, educador perinatal e parental; e Karina Queiroz, diretora executiva da TecKids, o painel destacou que o maior desafio hoje não é apenas o acesso às telas, mas a forma como as famílias se conectam — ou deixam de se conectar — dentro de casa.
Tiago trouxe um olhar sensível sobre o papel dos pais: “Meu desejo é que minhas filhas me vejam como um porto seguro. Que elas possam recorrer a mim a qualquer necessidade.”
Ele também destacou a angústia de muitas famílias: “Os pais estão desesperados. Um dos grandes desafios é estabelecer comunicação com os filhos diante de um movimento que coloca eles no quarto, atrás de uma tela.”
Karina reforçou essa sensação de insegurança e falta de direção: “O que a gente mais escuta é falta de clareza. Os pais sabem que precisam proteger, mas não sabem como. Tem muita plataforma, muita informação, e não sabem por onde começar.”
Para os especialistas, o caminho passa pelo básico — mas que nem sempre é simples: presença, diálogo e construção de vínculo. “Sem vínculo, a criança não vai contar o que acontece. Quando a gente fala dos riscos, fica muito mais fácil aplicar a proteção”, explicou Karina.
Outro ponto importante foi entender que supervisão não significa invasão. As ferramentas disponíveis ajudam, mas têm limites importantes — como não permitir o acesso ao conteúdo das conversas, apenas às interações.
Entre as possibilidades, os pais podem:
- Ver com quem o adolescente trocou mensagens recentemente
- Definir limites de tempo diário
- Bloquear o uso do aplicativo em horários específicos
- Receber notificações quando os filhos denunciam conteúdos
Mesmo assim, Tiago reforça que o essencial continua sendo a relação construída dentro de casa: “Talvez a grande receita sejam os acordos. Entender antes de punir, estar no lugar de aliado.”
E mais: o cuidado digital começa antes mesmo da tecnologia. “Antes de falar de telas, precisamos falar de limites, consentimento, respeito. Isso é a base”, completou.

Tempo de tela: equilíbrio entre limite e autonomia
O segundo painel do evento trouxe um olhar mais prático sobre a rotina digital: como equilibrar tempo de tela, autonomia e bem-estar.
Participaram da conversa Mari Bridi, mãe do Valentim e da Aurora, atriz, empresária e influenciadora digital; e Estéfi Machado, mãe de Téo, designer, fotógrafa e escritora, que compartilharam suas experiências reais dentro de casa — com acertos, erros e aprendizados constantes.
Mari contou como construiu, desde cedo, um diálogo aberto com a filha Aurora: “Desde o começo, eu sempre conversei com ela sobre as mídias que ela tinha interesse de navegar. Trabalhar com sinceridade e criar senso crítico facilita muito.”
Ela também destacou que não é só sobre quanto tempo a criança passa na tela, mas como esse tempo é usado: “O que eu mais percebo é que conteúdos muito curtos geram ansiedade. Quando acompanho, incentivo a assistir até o final, entender o que está vendo.”
Estéfi trouxe o olhar de quem já passou pela infância e adolescência do filho e hoje vive uma relação mais baseada em confiança: “A gente percebe no comportamento, no humor, no sono quando está demais. Um adolescente que é escutado, ele escuta também.”
Um dos pontos mais importantes discutidos foi a construção de combinados. “Sobre os combinados, o que funciona é envolver o adolescente. Ele se sente visto, escutado”, explicou Estéfi.
Mari concorda e reforça: “O combinado não sai caro. Quando você explica o porquê, a criança entende.”
Mas esse processo também exige firmeza. Como destacam Tais e Roberta Bento, mãe e filha, do SOS Educação e colunistas da Pais&Filhos: “A responsabilidade do adulto vai além de compartilhar informações com seus filhos sobre os riscos do mundo digital. Assumir a dor de precisar estabelecer limites para uma infância/adolescência saudável faz parte da educação de filhos na era digital”.

O desafio é coletivo
Um ponto forte do evento foi a ideia de que a proteção no ambiente digital não é responsabilidade apenas de uma família, mas de toda a comunidade. “Precisamos ter coragem para estar juntos, falar de assuntos complexos e criar um pacto coletivo”, disse Tiago Koch.
O debate também trouxe uma reflexão importante: além de proteger os filhos, é preciso considerar que eles também fazem parte desse ambiente — e podem reproduzir comportamentos.
Tecnologia como aliada das famílias
Ao longo do encontro, ficou evidente que não existe fórmula pronta. Cada família tem sua dinâmica, seus valores e seus desafios. Mas há um consenso: informação, diálogo e ferramentas adequadas fazem toda a diferença.
A Meta reforçou que o objetivo é justamente apoiar esse processo, oferecendo recursos que simplifiquem o acompanhamento parental e tornem o ambiente digital mais seguro desde o primeiro acesso. Como resumiu Karina: “A gente só vai conhecer o outro se estiver próximo.”