A Anvisa recebeu um novo pedido de uso emergencial para a vacina contra covid-19, Sputnik V, nesta sexta-feira, 26 de março. A agência disse em comunicado que o pedido anterior feito pelo laboratório União Química, que é, no Brasil, o Fundo Russo desenvolvedor do imunizante, será cancelado.
Ainda no início da semana, segundo o G1, a reguladora disse que precisava ter acesso aos dados brutos dos testes da vacina, um requisito para o pedido de uso emergencial no país. Segundo ela os documentos para o novo pedido foram entregues ainda durante esta madrugada, e que a equipe técnica está fazendo a triagem do pedido.

Saiba mais sobre a Sputnik V
No dia 2 de fevereiro, a revista científica “The Lancet” divulgou os resultados preliminares de fase 3 da vacina contra Covid-19, Sputnik V, desenvolvida pelo instituto russo Gamaleya. Foi apresentado 91,6% de eficácia contra a doença. Nos casos moderados e graves, a eficácia foi de 100%.
Com aplicação em duas doses, o estudo mostrou que a taxa de eficácia de 91,6% significa que em 91,6% dos casos houve a possibilidade da redução de casos em relação ao grupo vacinado e não vacinado. Para as pesquisas, houveram 19.866 participantes, sendo que 14.964 voluntários tomaram a vacina e 4.902 placebo. Entre os vacinados, houveram apenas 16 casos de Covid (0,1%) e 62 casos nos que não tomaram a vacina (1,3%).

Até o momento, não houve nenhum efeito colateral grave associado à imunização, podendo ter sido notado apenas efeitos adversos leves como, por exemplo, sintomas semelhantes ao da grupe, dor no local da injeção, baixa energia e fraqueza. Vale lembrar que o estudo ainda está em andamento, e possui o objetivo de incluir um total de 40 mil voluntários. Serão necessários ainda pesquisas para determinar a eficácia da vacina em impedir a transmissão da doença. A médica comenta ainda que, pelo fato dos resultados serem preliminares e ter a possibilidade de um aumento no número de voluntários, pode ser que a taxa de eficácia mude futuramente.
Tecnologia da Sputnik V
Desenvolvida com vetor viral, um outro vírus (o adenovírus) “leva” o RNA do coronavírus para dentro do corpo, mas sem conseguir se replicar e causando a doença. Na Sputnik, esse adenovírus é diferente em cada uma das doses, sendo o Ad26 na primeira e o Ad5 na segunda.
Segundo os cientistas russos, usar um adenovírus diferente em cada uma das doses pode ajudar em uma resposta imunológica mais poderosa, pois diminui o risco do sistema imunológico criar uma certa resistência por conta do vetor inicial.

Apesar da vacina de Oxford também usar o adenovírus em sua tecnologia, a Dra Ana Karolina Barreto Marinho comenta a diferença entre as duas: “Na de Oxford, eles utilizam o adenovírus de chimpanzés, e na Sputnik V são usados dois tipos de adenovírus humanos, considerados inofensivos. Mas, a tecnologia das vacinas são semelhantes e já conhecidas apesar de não serem tão utilizadas assim. Para o coronavírus é algo novo quando nos referimos ao vírus”.