Por Ana Beatriz Ortega 03/11/26

Uma nova alternativa para a prevenção do HIV deu mais um passo importante. A Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) concedeu, nesta segunda-feira, 2 de novembro, uma autorização preliminar à primeira versão genérica do lenacapavir, medicamento injetável que demonstrou eficácia superior a 99% em estudos clínicos.

Desenvolvido pela farmacêutica indiana Dr. Reddy’s Laboratories, o genérico tem como principal vantagem o preço reduzido. Enquanto o medicamento original, comercializado nos Estados Unidos como Yeztugo, custa aproximadamente US$ 28,2 mil por ano, a nova versão deverá ser oferecida por US$ 40 anuais, uma redução de cerca de 99,86%.

A expectativa é que a medida facilite o acesso à prevenção do HIV em países de baixa e média renda. No entanto, a autorização ainda é preliminar e não significa que o medicamento já esteja disponível para comercialização.

Como funciona a injeção para prevenir o HIV?

O lenacapavir é um medicamento antirretroviral utilizado como profilaxia pré-exposição (PrEP), estratégia de prevenção destinada a pessoas que não vivem com HIV, mas que podem estar expostas ao vírus.

Sua ação interfere no capsídeo, uma estrutura que protege o material genético do HIV e participa do processo de multiplicação viral. (Foto: Pexels)

Uma das principais diferenças em relação a outras formas de PrEP está na frequência de administração. Enquanto algumas alternativas exigem o uso diário de comprimidos, o lenacapavir é aplicado a cada seis meses.

Essa característica pode facilitar a continuidade da prevenção, especialmente para pessoas que enfrentam dificuldades em manter uma rotina diária de medicação.

Estudos apontam eficácia superior a 99%

Os resultados dos estudos clínicos PURPOSE 1 e PURPOSE 2 demonstraram elevada eficácia do lenacapavir na prevenção da infecção pelo HIV.

Em um dos estudos, nenhuma das 2.138 participantes que receberam o medicamento contraiu o vírus. No outro, foram registradas duas infecções entre 2.179 pessoas que utilizaram a medicação.

Apesar dos resultados positivos, é importante destacar que o medicamento não representa uma cura para o HIV. Sua finalidade é prevenir a infecção antes de uma possível exposição ao vírus.

Medicamento poderá chegar ao Brasil?

No Brasil, o lenacapavir recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para prevenção do HIV em janeiro de 2026.

Entretanto, o país não foi incluído inicialmente na lista de 120 nações contempladas pelo acordo de fornecimento da versão genérica por US$ 40 anuais.

Em setembro, uma negociação entre a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a fabricante Gilead abriu a possibilidade de aquisição do medicamento pelo Brasil e por outros 13 países latino-americanos por meio de compras internacionais conjuntas.

O valor que será praticado no mercado brasileiro ainda não foi divulgado.

Para que o medicamento seja disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), será necessária uma avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), seguida de decisão do Ministério da Saúde.

Próximo passo é ampliar o acesso à prevenção

A autorização preliminar da FDA poderá facilitar a avaliação do genérico por autoridades sanitárias de outros países, embora não permita sua comercialização nos Estados Unidos.

Segundo as organizações envolvidas no acordo, as primeiras remessas da versão genérica poderão chegar a alguns países ainda em 2026, com distribuição mais ampla prevista para 2027.

O desafio agora será garantir que a redução de preço se traduza em acesso efetivo ao medicamento, por meio de financiamento, produção e aprovação regulatória em cada país.\

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