
A esposa de Wanderley Barros, um homem de 62 anos que estava contaminado pelo novo coronavírus, havia feito um apelo no Facebook uma semana antes dele vir à óbito, na manhã da última segunda-feira, 13 de abril. “Meu amor, você foi a Londres para fazer turismo pela cidade, não pelos hospitais. Reage! Estamos com saudade”, dizia a mensagem.
Junto a irmã, ele foi à Londres no dia 10 de março, para visitar o filho e o neto, que moram lá há cerca de quatro anos. Naquele dia, no Reino Unido, haviam 6 mortes e 382 casos confirmados da doença. Um mês depois, até o conclusão da reportagem feita pela BBC, são 11.329 mortes e 88,6 mil pessoas contaminadas.
Depois de passear por diversos locais durante a viagem, Wanderley e outros quatro membros da família começaram a ter sintomas da doença, como febre, tosse, perda de olfato e também de paladar. O homem ainda teve alguns pontos diferentes da doença, como a febre alta. Logo após o episódio, ele foi internado imediatamente por sentir dificuldade em respirar.
Wanderley Barros Junior, fez um relato emocionante à BBC após perder o pai para a doença. “Em algumas pessoas, o vírus não tem tanta potência. Em outras, é devastador. Meu irmão, minha cunhada, minha tia e meu sobrinho… todos pegaram o vírus. Eles tiveram todos os sintomas, mas conseguiram sair dessa ficando em isolamento dentro de casa. Com o meu pai, não foi a mesma coisa”.

Ele, que ficou no Brasil com a mãe para cuidar da loja de materiais automotivos do pai, precisou acompanhar o caso a distância. Foram 19 dias de UTI, junto com os momentos de desespero nos hospitais de Ealing e Charing Cross.
“Assim que foi internado, ele foi entubado, sedado e ficou no aparelho de respiração. Como não existe medicamento ainda, eles continham como podiam, mas o vírus foi se alastrando. O fígado dele foi parando, o rim foi parando. Ele teve que fazer hemodiálise, filtrar o sangue, que estava muito ácido. O pulmão ficou carregado de líquido e de sangue. Esse vírus foi matando o meu pai por dentro”, desabafa.
Wanderley faria 63 anos no próximo dia 22, e se enquadrava no grupo de risco por ser hipertenso. “Meu irmão está agora correndo atrás desse trâmite sobre o que fazer agora com o corpo. Ele vai ter que ser cremado em Londres”, lamenta o filho, que não pôde se despedir do pai.
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