A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) emitiu um alerta para o aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) associados a diferentes vírus no Brasil. Entre os principais agentes identificados estão o rinovírus, o metapneumovírus e o coronavírus responsável pela Covid-19. O cenário exige atenção especial às crianças pequenas, que apresentam a maior incidência da síndrome.
Os dados fazem parte do Boletim InfoGripe, divulgado na quinta-feira, 5 de novembro, que analisou o período de 25 a 31 de outubro. Segundo o levantamento, o avanço das infecções respiratórias ocorre em diferentes estados, com destaque para regiões do Sudeste, Sul e Nordeste.
A análise das últimas oito semanas mostra que as crianças de até 2 anos são as mais afetadas em relação à incidência de SRAG. Já entre os idosos com 65 anos ou mais, a preocupação está relacionada à maior mortalidade.
Crianças pequenas concentram maior incidência de casos graves
De acordo com a Fiocruz, os casos de SRAG entre crianças pequenas estão associados principalmente ao rinovírus, ao vírus sincicial respiratório (VSR) e ao metapneumovírus.

O rinovírus, frequentemente relacionado a resfriados, também aparece como o principal agente identificado nas mortes por SRAG entre crianças pequenas, segundo o boletim.
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, o vírus esteve presente em 50,1% dos casos de SRAG com resultado positivo para vírus respiratórios. O VSR foi identificado em 10,1% dos casos positivos.
Os percentuais, no entanto, não representam todas as infecções respiratórias registradas no país, mas apenas os casos graves analisados com identificação laboratorial de vírus.
Quais estados apresentam aumento de casos?
O levantamento identificou crescimento dos casos graves associados ao metapneumovírus em nove estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Sergipe.
Já a Covid-19 apresenta sinais de aumento dos quadros graves em Mato Grosso, Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Apesar dessa tendência, a Fiocruz destaca que a incidência nacional de SRAG por Covid-19 permanece baixa em todas as faixas etárias. No Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, os níveis também continuam muito baixos.
Em Mato Grosso do Sul, um leve aumento de casos associados ao rinovírus contribui para o crescimento da síndrome.
Entre as capitais brasileiras, Aracaju e João Pessoa chamam atenção por apresentarem atividade elevada de SRAG nas últimas duas semanas, acompanhada de tendência de crescimento nas últimas seis semanas.
Brasil já registrou mais de 171 mil casos de síndrome respiratória grave em 2026
Desde o início do ano epidemiológico, o Brasil contabilizou 171.369 notificações de síndrome respiratória aguda grave.
Desse total, 91.420 casos, o equivalente a 53,3%, tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório.
Nas quatro semanas mais recentes analisadas, o rinovírus também se destacou entre as mortes por SRAG com identificação viral, estando presente em 43% dos registros. O coronavírus responsável pela Covid-19 apareceu em 24,1%.
Esses dados reforçam a importância de acompanhar a circulação dos vírus respiratórios, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.
Fiocruz reforça importância da vacinação contra a Covid-19
Diante do aumento de casos graves em algumas regiões, a Fiocruz voltou a destacar a vacinação como uma das principais medidas de proteção contra as formas graves da Covid-19.
A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz e responsável pelo InfoGripe, ressaltou a necessidade de manter a imunização atualizada.
“É essencial que as pessoas dos grupos prioritários estejam em dia com a vacina contra o vírus”, afirmou.
Para as famílias, o alerta reforça a importância de acompanhar a saúde das crianças pequenas e manter atenção aos sintomas respiratórios, principalmente diante do aumento da circulação de diferentes vírus.
Embora o boletim identifique tendências de crescimento em determinadas regiões, os dados não indicam que todos os vírus estejam avançando da mesma maneira em todo o país.