Por Ana Beatriz Ortega 28/10/26

Quando uma criança apresenta ganho de peso acima do esperado, é comum que a alimentação e a falta de atividade física sejam as primeiras preocupações da família. Mas nem sempre a explicação está apenas nesses hábitos. Questões genéticas, hormonais e metabólicas também podem influenciar o peso e o desenvolvimento infantil.

Uma das condições que merecem atenção é a resistência à insulina. Segundo a médica nutróloga Ana Luísa Vilela, o problema pode estar associado ao excesso de peso, mas não deve ser apontado como causa sem uma avaliação adequada.

“Quando uma criança apresenta ganho de peso excessivo ou uma evolução diferente da esperada para a idade, é preciso olhar o contexto como um todo: crescimento, alimentação, atividade física, sono, histórico familiar e possíveis fatores metabólicos. Não dá para atribuir a situação exclusivamente ao que ela come”, explica.

O que é resistência à insulina?

A insulina é um hormônio que ajuda a glicose, o açúcar presente no sangue, a entrar nas células para ser utilizada como fonte de energia.

Na resistência à insulina, as células passam a responder menos à ação desse hormônio. Com isso, o organismo pode precisar produzir mais insulina para manter os níveis de glicose controlados.

Medidor do teste de glicose.
Essa alteração pode estar relacionada a outros problemas metabólicos, mas não significa que toda criança com excesso de peso tenha resistência à insulina. (Foto: Freepik)

Quais sinais os pais devem observar?

Entre os principais pontos de atenção estão o ganho de peso persistente, a pressão arterial elevada e o histórico familiar de diabetes tipo 2.

Outro sinal importante é a acantose nigricans, caracterizada por regiões da pele mais escuras e espessadas, principalmente no pescoço e nas axilas.

Essas manchas podem ser confundidas com sujeira, mas não desaparecem simplesmente com a limpeza da pele. Embora possam estar associadas à resistência à insulina, não confirmam o diagnóstico sozinhas.

Cansaço excessivo, aumento do volume abdominal e mudanças no desenvolvimento puberal também merecem investigação, pois podem estar relacionados a diferentes condições de saúde.

Alterações alimentares, como seletividade persistente ou preferência frequente por alimentos açucarados, devem ser avaliadas dentro do contexto da criança, mas não são sinais específicos de resistência à insulina.

Como é feito o diagnóstico?

A avaliação médica considera a idade, o crescimento, o estágio de desenvolvimento, os hábitos e o histórico familiar.

Dependendo do caso, o profissional pode solicitar exames de glicemia e outros indicadores metabólicos. Nenhum sinal físico ou resultado isolado é suficiente para definir o diagnóstico.

“Mais importante do que o número da balança é entender como a criança está crescendo e o que pode estar interferindo na saúde dela. A avaliação precoce permite identificar riscos, orientar a família e construir um plano de cuidado com mudanças sustentáveis na rotina”, destaca Ana Luísa.

Como a família pode ajudar?

A nutróloga alerta que cobranças sobre o peso, comparações com outras crianças e dietas restritivas sem orientação podem prejudicar a autoestima e a relação com a alimentação.

Em vez de concentrar a responsabilidade na criança, a recomendação é envolver toda a família na construção de hábitos saudáveis.

Isso pode começar com atitudes simples, como organizar refeições em conjunto, manter horários adequados de sono e reservar momentos para brincadeiras e atividades físicas.

“A criança não precisa carregar sozinha a responsabilidade pelo próprio peso. Quando a família muda junto, com acolhimento e orientação profissional, o cuidado deixa de ser uma cobrança e passa a ser parte da rotina. É isso que faz diferença no longo prazo”, conclui a especialista.

Diante de sinais persistentes ou dúvidas sobre o crescimento e o peso, o caminho é procurar o pediatra para uma avaliação individualizada, sem iniciar dietas ou restrições alimentares por conta própria.

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