Por Ana Beatriz Ortega 28/10/26

Um ano a mais de estudo pode fazer diferença para a saúde do cérebro no futuro. É o que aponta uma pesquisa publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), que identificou uma menor incidência de Alzheimer e outras demências entre pessoas beneficiadas por uma mudança na educação do Reino Unido.

Os pesquisadores analisaram os efeitos de uma reforma que obrigou os adolescentes a permanecer na escola por mais um ano. Os resultados sugerem que a escolaridade pode influenciar o risco de desenvolver demência até cinco décadas depois.

O estudo também encontrou indícios de que a educação pode diminuir a influência da predisposição genética para essas doenças.

Como foi feita a pesquisa?

Para entender essa relação, os cientistas investigaram uma reforma educacional realizada em 1972, na Inglaterra, no País de Gales e na Escócia.

Antes da mudança, os estudantes podiam deixar a escola aos 15 anos. Com a nova regra, a idade mínima passou para 16 anos.

A medida atingiu pessoas nascidas a partir de 1º de setembro de 1957, permitindo que os pesquisadores comparassem grupos que estudaram sob regras diferentes. Após a reforma, a proporção de adolescentes que permaneceram na escola até os 16 anos aumentou 14 pontos percentuais.

A equipe analisou dados de mais de 100 mil participantes do UK Biobank, um banco de informações sobre saúde e genética do Reino Unido. Para identificar diagnósticos de Alzheimer e outras demências, foram consultados históricos médicos, registros hospitalares e informações sobre mortes.

O que os pesquisadores descobriram?

Ao comparar os grupos, os cientistas identificaram menos casos de demência entre as pessoas alcançadas pela reforma educacional.

Outro resultado chamou a atenção: a relação entre a predisposição genética e o desenvolvimento dessas doenças foi menor entre os participantes que tiveram a escolaridade obrigatória ampliada.

Isso significa que, mesmo entre pessoas com maior predisposição genética, a educação pode estar associada a uma redução do risco de demência. (Foto: Getty Images)

Os resultados, porém, não significam que estudar por mais tempo impeça o aparecimento de Alzheimer ou de outras doenças neurodegenerativas.

Por que essa descoberta importa para as famílias?

A pesquisa ajuda a ampliar uma discussão importante: os efeitos da educação podem ir além da infância e da adolescência. Quando uma criança permanece na escola, ela desenvolve conhecimentos e habilidades que podem influenciar diferentes aspectos de sua vida adulta.

O estudo sugere que o acesso à educação também pode estar relacionado à saúde cerebral muitos anos depois.

Mas isso não quer dizer que acrescentar um ano de escola garanta proteção contra a demência. O risco dessas doenças envolve diferentes fatores, e a pesquisa analisou uma mudança específica no sistema educacional britânico.

Ainda assim, os resultados reforçam a importância de investigar como as oportunidades educacionais podem contribuir para a saúde ao longo da vida.

Para os pesquisadores, a comparação entre pessoas atingidas ou não pela reforma oferece pistas sobre o possível papel da escolaridade na prevenção de problemas cognitivos décadas mais tarde.

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