
Quem me conhece sabe o quanto meus sentimentos vivem numa eterna montanha-russa entre o amar trabalhar fora de casa e a culpa por não ficar com os meninos. Quantos choros durante o trânsito, angústia de não ajudar num trabalho escolar ou ficar coladinha num dia de febre. E quantos méritos com um projeto que foi pro ar, com um sucesso numa ação de marca e que alegria quando recebo elogio no trabalho! É um misto de sentimentos muito louco, e sei que muitas mães sentem. Hoje, no meu 34º dia em isolamento social com as crianças, eu fingi que estava dormindo só para ficar um pouco sozinha e em silêncio comigo mesma.
Em mais um dia corrido (sim, todos em home office estão trabalhando incrivelmente mais), eu tive menos de 30 minutos para comer -com as crianças, claro. Delivery, sem sombra de dúvidas, daquele restaurante que eles adoram e com a condição de quem descia para pegar era um, enquanto o outro colocava a mesa. Comida nos pratos. Chama um, chama o outro, Outlook alertando que faltavam 15 minutos -e depois 10. Um grito. Aliás, três: o meu e mais dois que ecoavam no quarto. A cena que me deparei eram duas crianças pulando em cima da minha casa, aos berros e brincando de lutinha.
Perdi o controle. Gritei, dei um esporro -daqueles que dói a garganta depois- e faltavam cinco minutos para o call. Diante daquele climão, eu engoli o almoço e coloquei tudo para fora minutos depois. Crianças envergonhadas, um bilhete empurrado por debaixo da porta. Uma dor tremenda no meu coração, seguida de um choro copioso que não passava. Por que tudo isso, se tudo o que eu mais queria era estar com eles por mais tempo?

Não tá fácil para ninguém, eu sei. O mix de sentimentos (é desespero, revolta, cuidado, pânico, proteção, zelo, culpa…) está bombando. A sensação de incapacidade diante do invisível é gigante. Não está fácil pras mães e pais e pra muitas outras pessoas. E quem mora sozinho? E para os idosos? E os que estão no front ou precisando sair para trabalhar? Não vou me prolongar, porque vemos isso todos os dias nas redes sociais.
E aí penso que há um mês eu posso tomar café, almoçar e jantar com os filhos. Consigo preparar (com eles) aquele macarrão com molho branco em plena terça-feira. Fazemos uma sessão de cinema na segunda à noite. Escuto uma gargalhada no meio do dia. Tenho olhado no olho para brigar e depois dar um forte abraço -ao vivo.

Sabe quando teremos tanto tempo assim para ficarmos com nossos filhos? NUNCA. Então precisamos aproveitar. Sei que falta tempo pra gente, mas teremos muito pela frente. Sei que é difícil trabalhar com as crianças em casa, mas sentiremos falta dos gritinhos e risadas ao longo do dia. Sei que enlouquecemos com a bagunça, mas lembra da saudade que ficamos dos filhos quando a casa está arrumada porque eles não estão?
Esses dias eu escutei do meu filho de seis anos: “São as melhores férias da minha vida, porque estamos o tempo todo em família”. E meu recado para quem tem criança em casa é este: vai passar. E esses momentos com eles ficarão pra sempre em nossos corações.
(corre pra um abraço, vai!)
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