Por Dr. Rodrigo Rosa Filho 26/11/25

O teste genético pré-implantação para aneuploidia (PGT-A) é o termo geral para testar o mapa cromossômico de embriões. Também chamado de biópsia embrionária, o teste é feito no Brasil em quase 50% dos casos de fertilização in vitro.

O objetivo é identificar, na análise cromossômica dos embriões, se eles têm o número certo (23 pares) de cromossomos (euploides), que são embriões com maiores chances de nascimento, ou se contam com o número errado de cromossomos (aneuploides). Há ainda aqueles embriões chamados “mosaicos”, que apresentam algumas células normais e outras anormais.

Um estudo publicado no Journal of Clinical Medicine destaca que esses exames genéticos de embriões são importantes para quem faz fertilização in vitro e podem ajudar mais mulheres com mais de 35 anos a ter um bebê em menos tempo.

Este é o primeiro ensaio clínico randomizado controlado no mundo a se concentrar exclusivamente em mulheres de 35 a 42 anos, um grupo com maior risco de produzir embriões com anormalidades cromossômicas.

(Foto: Freepik) O teste genético pré-implantação pode reduzir o tempo até a concepção, especialmente para mulheres entre 35 e 42 anos

Para mulheres que têm abortos recorrentes (2 ou mais) ou para essas mulheres, com mais de 35 anos, que necessitam de FIV, a triagem de embriões com teste PGT-A pode ajudar.

Embora as diretrizes atuais não recomendem o uso rotineiro do PGT-A, levando as mulheres a realizar esse teste em particular ou a ignorá-lo completamente, as recomendações se baseiam em evidências anteriores de estudos com participantes jovens, nos quais a taxa de aneuploidia, número anormal de cromossomos em uma célula, é menor.

O trabalho mostrou que o teste PGT-A apresentou uma taxa cumulativa de nascidos vivos maior após até três transferências de embriões, com 72% no grupo PGT-A versus 52% no grupo controle. Mulheres no grupo PGT-A conseguiram engravidar em menos transferências, reduzindo o tempo até a concepção, um fator importante para mulheres em idade reprodutiva avançada.

Melhorar a eficiência do tratamento com um tempo menor para alcançar a gravidez e o nascimento vivo pode reduzir o impacto físico e emocional da fertilização in vitro para mulheres em idade reprodutiva avançada.

Nos casos de mulheres com mais de 35 anos ou com abortos recorrentes, o custo do teste PGT-A é mais vantajoso do que ter que repetir as transferências até obter transferir o blastocisto euploide (aquele com maior chance de nascimento).