**Texto por Thayná Yaredy, sócia-fundadora da Gema Consultoria de Compliance em Equidade. Formada em direito pela UNIESP e mestra pela UFABC. Pós-graduada em Direitos Fundamentais pela Universidade de Coimbra e pesquisadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros. Mulher de axé e mãe do Marthin

Demorei muito tempo para acessar um lugar em mim que fizesse com que eu conseguisse, efetivamente pensar minha maternidade e compartilhá-la pelo mundo. Acredito que, neste ponto da vida fui bastante agraciada. Tenho hoje um adolescente em casa e, embora todos os estereótipos externalizados por pessoas que acreditam num modelo de pessoas preexistente para qualquer situação e tempo de vida, não é possível dizer isso da experiência que enfrento.
Acho que quando pensamos e falamos de meninos negros acaba que as pessoas reforçam um estereótipo animalizado e longe das oportunidades de existência da infância e do crescimento adolescente livre, feliz e cheio de oportunidades desse tempo e é daí que penso como a importância do conhecimento social coletivo sobre questões raciais faria a diferença, inclusive para que mais mães tenham a boa experiência que posso relatar.
Dentro da nossa casa não há uma relação verticalizada de mãe e filho, há sobretudo amizade. Nós compartilhamos descobertas, risos, conhecimentos, piadas, interesses e reclamações. Não significa que seja uma relação continuamente perfeita, mas significa que, num contexto de produção de espaço do que pode significar ser mãe e filho, eu e Marthin temos nosso próprio plano estratégico.

Existem diversos fatores que transformam nossa jornada juntos em algo incrível, a proximidade e o letramento interseccional de nossos amigos e, digo nossos, por meus amigos serem também amigos de meu filho, assim como tento ser colega das crianças que fazem parte de sua vida, há também a parceria extrema entre eu e o pai dele que é meu amigo e também nosso irmão de santo e o vínculo espiritual que nos liga, fazendo com que estejamos sempre juntos.
Ser mãe-irmã do Marthin é algo particularmente singular. Nosso vínculo espiritual permite que possamos aprender em conjunto sobre ancestralidade, compromisso, responsabilidade e afeto. Essa é a parte de nossa vida que partilhamos mais proximamente. Tudo nosso é feito como um, inclusive as coisas que aprendemos durante nosso processo de yawo, o tempo no candomblé em que ainda somos considerados crianças.
Observar nossa relação e a construção social dela me fez entender o quão precioso é analisarmos as nossas crianças da perspectiva de suas individualidades, ouvi-las e aproveitar, cada oportunidade, para aprender com este ser em desenvolvimento. No fim das contas nós precisamos levar em consideração o mundo que são nossos pequenos ou, no meu caso, grandes filhos, para entender como a experiência da maternidade diz muito sobre o quão profunda pode ser nossa oportunidade de, enquanto sociedade, sejamos pessoas melhores.
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