Por Bianca Rocha 07/01/26

Criar crianças que sejam não apenas inteligentes, mas também gentis, é uma prioridade crescente para muitos pais, especialmente em tempos em que o mundo muitas vezes seja opressor, desconectado ou dividido.

De acordo com a Parents, para Joseph Laino, doutor em psicologia e psicólogo no Sunset Terrace Family Health Center da NYU Langone, investir no desenvolvimento de habilidades interpessoais é extremamente relevante.

Para ele, empatia, compaixão e generosidade não são incompatíveis com o desempenho acadêmico e que uma fortalece a outra. Para quem deseja que seus filhos tenham essas habilidade há sete dicas que podem ajudar na criação e desenvolvimento dessas atitudes.

1. Ensinar a ser humano

A necessidade de ter filhos mais compreensivo e humanizados é uma cada vez maior entre os pais, prinicpalmente, em meio a um mundo digital.

Segundo o especialista, pequenas sementes geram grandes árvores. As crianças levam para o mundo aquilo que recebem em casa.

2. Demonstre gentileza desde cedo

A empatia se manifesta muito antes do que muitos imaginam. Laino destaca que nunca é cedo para desenvolver habilidades socioemocionais, desde que as práticas estejam de acordo com a idade da criança.

Mesmo antes de falarem, os bebês captam sinais emocionais como o tom de voz, expressões faciais e reações a situações. Essas observações moldam sua compreensão de como as pessoas se tratam.

É possível perceber quando você consola alguém ou age de forma cuidadosa, e crianças pequenas frequentemente reproduzem esses comportamentos. É como se fosse um espelho dos pais.

Laino ainda destaca que dizer frases empáticas e de gentileza ajuda frequentemente a criança a conectar ações e intenções.

3. Use histórias para construir compreensão

Andrea Mucino-Sanchez, do ACNUR, explica que a narrativa é uma ferramenta poderosa para desenvolver empatia. Seja em livros ilustrados para os menores ou romances para adolescentes. Isso faz com que as crianças vejam o mundo de outra ótica.

Livros sobre refugiados ou deslocamento podem introduzir conceitos como resiliência e sobrevivência de forma apropriada.

Para crianças mais velhas, O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini, aprofunda sobre temas como empatia e outros eventos relevantes.

4. Vídeos curtos ou relatos de agências da ONU e ONGs também podem ser úteis

Crianças pequenas percebem conflitos! Mucino-Sanchez recomenda que os pais assumam a liderança ao explicar eventos globais, adaptando a linguagem à idade da criança.

Manter explicações simples, destacando segurança, justiça e quem ajuda. Para os filhos um pouco mais velhos, diálogo, análise crítica e participação em pesquisas sobre organizações e causas sociais devem ser sempre incentivadas.

5. Nomeie o privilégio sem culpa

Compreender desigualdades não deve gerar culpa, mas consciência! Mucino-Sanchez sugere que os pais ajudem as crianças a perceberem que nem todas têm acesso a segurança, alimentação, educação ou moradia estável, cultivando gratidão e responsabilidade.

Crescer em paz é um privilégio! A criança deve exercitar a gratidão sobre isso e refletir sobre questionamentos de como podem ajudar ou compartilhar o que tem.

6. Crie espaço para conversas regulares

Conversas frequentes criam um espaço de segurança e permite que as crianças expressem dúvidas ou preocupações. Crianças pequenas podem questionar notícias tristes e as mais velhas podem debater questões de política ou desigualdade global.

Espaços regulares ajudam a construir pensamento crítico, cuidado e imaginação para contribuir.

7. Incentive ações

Atos de bondade reforçam senso de competência e conexão. Laino explica que “dar, fazer e se importar”, cresce a autoconfiança e propósito das crianças e adolescentes.

Não esqueçam de que a abordagem é diferente para cada idade. Uma criança mais velha, por exemplo, não entende mais como as pequenas, mas também não como um adulto. Especialistas classificam que a conversa deva ser da seguinte forma:

Para crianças do ensino fundamental:

  • Fazer cartões para vizinhos ou idosos, visitar ou ajudar quando possível
  • Doar brinquedos, livros ou roupas
  • Preparar refeições para amigos ou familiares

Crianças mais velhas e adolescentes

  • Participar de voluntariado em bancos de alimentos ou eventos comunitários
  • Escolher causas importantes e definir formas concretas de apoiá-las
  • Participar de projetos de limpeza ou organizações voluntárias, tornando o serviço mais significativo ao envolvê-los na escolha

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