Por Bianca Rocha 21/01/26

A expressão FAFO é uma gíria norte-americana que, segundo registros, pode ter surgido entre grupos de motociclistas e carrega o sentido de “experimentar por conta própria e aprender com o que acontece”. Com o tempo, a sigla passou a nomear também um estilo específico de parentalidade.

Nesse modelo, a lógica é simples: permitir que a criança vivencie as consequências naturais de suas escolhas.

Segundo o Today, neste método de criação as crianças precisam entender que determinadas atitudes levam a erros, e que esses erros geram consequências físicas ou emocionais.

Repercussão do tema

Em julho do ano passado, Jenna Bush Hager e Tyra Banks conversaram sobre o fenômeno durante o programa TODAY With Jenna & Friends.

Banks afirmou que, na prática, transita entre a parentalidade gentil e o método FAFO (Flying, Ability, Fool, Out of Education).

Ela também diz que existem duas mães dentro dela, elas têm nomes, e seu filho sabe exatamente quem são. Uma delas é a “Yoga Mama”, que aparece tanto nos momentos de brincadeira quanto quando precisa demonstrar empatia e compreensão. “Ela é carinhosa e muito acolhedora”, descreve.

Já o outro lado, apelidado de “Yo Yo Mama”, é mais firme, direto e objetivo. “Percebi que meu filho lida bem com as duas versões. Mas quando a Yoga Mama aparece em excesso, é quase como se ele pedisse para a Yo Yo Mama entrar em cena.”

Jenna, disse se identificar como uma mãe FAFO, no sentido de incentivar os filhos a resolverem situações sozinhos sempre que possível.

Ela cita como exemplo uma situação cotidiana: se sua filha Mila, que está no ensino fundamental, pede para dormir na casa de uma amiga em uma noite em que a família não está em casa, Jenna explica as condições com clareza.

“Vamos sair hoje à noite, mas se você quiser dormir lá, tudo bem. Só saiba que, se ficar cansada, a responsabilidade é sua”, disse.

Entenda o que são pais FAFO, termo crescente nos Estados Unidos | Imagem: Freepik

Parentalidade FAFO

A parentalidade FAFO não é exatamente uma novidade. Esse tipo de abordagem já é adotado em diferentes partes do mundo há muitos anos, mas ganhou visibilidade agora por ser rotulado e popularizado nas redes sociais.

Há pesquisas que retratam sobre a condição, como as apresentadas no livro Geração Ansiosa, de Jonathan Haidt, que destaca a importância das crianças assumirem riscos controlados e desenvolverem resiliência.

Experiências reais, adequadas à idade, podem fortalecer a autonomia dos filhos. Desde que os adultos saibam diferenciar quais riscos são apropriados em cada fase da infância.

Responsabilidade

No entanto, antes de transferir totalmente a responsabilidade para o filho, é recomendado conversar antes.

É fundamental alinhar o que precisa ser feito, quem é responsável por cada tarefa e quais estratégias podem ajudar a criança a se lembrar. A comunicação, segundo ela, é indispensável.

Se o esquecimento acontecer uma vez, os pais podem intervir e colocar o dever na mochila. Mas, se o erro se repetir pela terceira, quarta ou quinta vez, os pais que adotam a abordagem FAFO permitem que os filhos enfrentem as consequências.

Estilo de pais

A boa notícia é que não é necessário escolher entre ser “Yoga Mama” ou “Yo Yo Mama”. É possível ser ambas.

Muitas vezes pais encaram a parentalidade de forma radical, como se só existissem categorias fechadas: pais gentis, pais autoritários ou pais ausentes.

Na prática é completamente diferente. A maioria das famílias funcionam como uma combinação de todas essas características.

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