Família

Estudo mostra que crianças expostas à fumaça de cigarro podem ter filhos asmáticos

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Publicado em 19/09/2022, às 12h08 - Atualizado às 12h24 por Redação Pais&Filhos


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Um estudo feito entre pesquisadores da Austrália, Sri Lanka, Reino Unido e Noruega mostra que a exposição à fumaça do cigarro na infância e adolescência pode afetar a saúde da geração seguinte, aumentando as chances de asma. Segundo informações do portal Folha Press, a pesquisa revela que a probabilidade de uma criança apresentar asma não alérgica aos 7 anos de idade cresce 59% quando seu pai foi exposto à fumaça do cigarro antes dos 15 anos e aumenta para 72% se o pai, além de ter sido fumante passivo tornou-se também fumante ativo.

O estudo foi realizado em 1968 e em 2010 junto a 1.689 pares de pais e filhos. O objetivo era reunir parentes de várias gerações e acompanhar os participantes ao longo dos anos (Foto: Getty Images)

“Quando um menino é exposto à fumaça do tabaco, isso pode causar alterações epigenéticas em suas células germinativas. Posteriormente, essas mudanças serão herdadas por seus filhos, com impactos adversos em sua saúde”, afirma Dinh Bui, professor na Universidade de Melbourne e autor sênior do estudo.

O estudo foi realizado em 1968 e em 2010 junto a 1.689 pares de pais e filhos no TAHS (Estudo Longitudinal de Saúde da Tasmânia, em português), o objetivo era reunir parentes de várias gerações e acompanhar os participantes ao longo dos anos.  “É um estudo muito interessante por razões como apontar que a exposição ao tabagismo passivo antes de 15 anos alterou as espermátides (células precursoras dos espermatozóides) e contribuiu para que o filho tivesse asma”, comenta o pneumologista Paulo César Corrêa, coordenador da Comissão de Tabagismo da SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia) e professor na Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto).

Ainda segundo o Folha Press, aqui no Brasil estudos anteriores já haviam sido realizados para analisar a relação entre pais que fumavam antes dos 15 anos e o maior risco de asma nos filhos. Segundo a Pense (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar), 15,6% dos meninos de 13 a 15 anos já fumaram cigarro alguma vez na vida. Isso revela que existe tanto um efeito do tabagismo passivo quanto do ativo e que este potencializa aquele. “Há um período crítico de exposição. Se eu passo por ele sem ser exposto, não terei o efeito. O problema aconteceu nas pessoas que foram expostas nessa janela. Pensando no sistema, o ideal seria proteger essa população ao máximo nesse período para não colher esse resultado depois”, defende Corrêa.

Asma

Corrêa explica que os asmáticos ainda são tratados de forma igual, pela maneira como a doença se manifesta, mas há um esforço para compreender as causas de cada subtipo e oferecer tratamentos mais específicos. “Se eu dou corticoide inalatório para um paciente que tem asma não alérgica, por exemplo, ele não melhora. Não é para ele. No futuro, vamos conseguir ter medicações que funcionem para esse tipo de caso”, prevê.

Bui finaliza: “Vamos investigar se o aumento do risco de asma em crianças devido à exposição de seus pais persiste na vida adulta. Também investigaremos o impacto da exposição passiva ao fumo dos pais em outras doenças alérgicas e na função pulmonar dos filhos”.

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