
Em entrevista ao G1, Mateus, o pai do menino que pediu ajudar pelo amigo estar sofrendo bullying, disse que assim que foi buscar as crianças, conversou com o pai do aniversariante, mas que ele não levou a história à sério. O caso aconteceu no último sábado, 23 de novembro, em Marília, durante o uma festa.
“Nunca vi meu filho e o amigo reclamarem de bullying, para mim foi a primeira vez. Cheguei na festa e conversei com o pai do aniversariante e ele disse que ‘era coisa de criança’. Eu disse que algo assim não pode ser levado na brincadeira”.
Mateus notou que o menino que foi alvo de bullying estava chateado, então também quis conversar com ele: “Falei que o problema não era com ele, que as pessoas aprendem com o tempo e que ele é uma pessoa incrível. Meu filho é uma criança tranquila e, mesmo se eu não tivesse falado com ele sobre essas situações, eu tenho certeza que a atitude seria a mesma. É errado xingar alguém, ainda mais por etnia ou classe social”, concluiu.
Entenda o caso
Enquanto Miguel participava da festa de um colega, em Marília, no interior de São Paulo, ele mandou uma mensagem para o pai de uma situação em que estava visivelmente incomodado. Nas capturas de tela do celular, é possível ver que o amigo, Rafael, estava sendo alvo de comentários racistas.
“Pai, vem me buscar, fazendo favor, não quero ficar na festa do Gabriel. Você sabe que o Rafa é meu melhor amigo da escola, né. Aí o Gabriel e os outros meninos tão fazendo bullying com o Rafa. Tão chamando ele de preto e gordo. Eu não fiz bullying não, tá? Eu defendi ele e falei pra parar”, desabafou pelas mensagens.
“Eu falei pro pai do Gabriel e pro homem que tá vestido de Minecraft, mas eles deram risada. Agora, a gente tá aqui sozinho. Pai, quando você vir, pega o Rafa também pra gente não deixar meu amigo aqui sozinho…”, pediu o menino em um gesto de solidariedade.

Depois de alguns minutos, o pai do menino respondeu que iria até a festa e que buscaria os dois. “Se esses meninos tentarem qualquer coisa e você precisar se defender, se defenda. As aulas são pra isso”, disse se referindo às práticas do jiu-jitsu.
Quando saíram do local, o homem compartilhou a conversa pelo perfil pessoal, do Facebook, no último sábado, 23 de novembro. A publicação teve mais de 140 mil reações, 16 mil comentários e 111 mil compartilhamentos.
Na mensagem, ele dizia: “Extremamente triste com a situação, mas, por outro lado, feliz pela atitude do meu filho em não se juntar aos outros meninos. Mas fica a reflexão… nenhuma criança nasce preconceituosa e muito menos agressiva, ou seja, ela aprende isso de alguma forma e, na maioria das vezes, é em casa, com base na educação que os pais dão e, principalmente, no comportamento deles. Então, pensem bem no tipo de exemplo que vocês, pais, dão a seus filhos”.
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