
Na última semana os Estados Unidos se tornou o mais novo epicentro de transmissão de coronavírus do mundo, atualmente já são mais de 200 mil casos confirmados no país. No entanto a forma que as pessoas foram sendo contaminadas em pouco tempo, deixou a população em estado de choque e batalhando para se adaptar a quarentena. Conversamos com o brasileiro Alexandre Sylvestre, pai do Miguel, de 10 anos, e da Cecília, de 7 anos, que vive em Nova Jersey há dois anos e contou detalhes de como sua família está lidando com o momento.
Alexandre decidiu mudar com a família para os EUA por conta do trabalho na agência do banco do Bradesco, em Manhattan, Nova York. Ele está de quarentena em casa desde 12 de março, mas as crianças foram dispensadas da aula somente no dia 15 do mesmo mês. Apesar de estarem todos juntos, ele conta que não está sendo uma dificuldade para os filhos se adaptarem ao sistema na plataforma digital, pois sempre tiveram computadores, e um aplicativo com informações sobre os dias letivos, disponibilizados pela escola que é pública.
“As escolas públicas do distrito sempre tiveram a preocupação de passar informação para as famílias 0 mais rápido possível e disponível para todos. Quando a gente tem uma situação anormal de aula, recebemos e-mail, mensagens e ligações gravadas, para sermos avisados sobre determinada ação”, explica Sylvestre, sobre o funcionamento das escolas. Apesar disso ele conta que ele e a esposa, Geovana Sylvestre, estão fazendo o possível para aprender sobre o sistema de educação americano com o objetivo de ajudar as crianças, principalmente a filha mais nova, com as atividades.
A família que estava acostumada a frequentar diversos restaurantes, contou que mesmo não sendo uma lei, todos os estabelecimentos estão fechados por decisão própria como forma de proteção a saúde dos funcionários contra o coronavírus. “O americano é neurótico, então é possível observar que quando existe uma determinação superior, as pessoas tendem a cumprir com mais rigor, pois elas já têm experiência do pior. Nesse aspecto cultural eles vão obedecer por medo ou disciplina”, opinou sobre a diferença de como os norte-americanos lidam com a pandemia comparado com outros países.

Alexandre e Geovana, que nasceram e tem familiares em Santa Catarina, no sul do Brasil, abriu o coração e disse que estar em outro país e longe da família é ainda mais angustiante. “Não tem nem voo para o Brasil. Os próprios familiares não têm a oportunidade de ter uma despedida caso algo aconteça. A saudade vem com mais força. Meu pai, que faz parte do grupo de risco, está sozinho em Itajaí, se acontecer alguma coisa não estamos perto para ajudar”.
Diante das mudanças que a rotina teve, Alexandre explica como o ‘valor da vida não tem preço’, e que respeitando as recomendações é a única maneira de acreditar e garantir dias melhores. “A gente mais do que nunca tem que deixar as diferenças de lado e aproveitar esse momento para nos unirmos e se manter em calma e ter sabedoria para entender que não tem uma resposta única para resolver, vão ser diversas medidas que vão ajudar. Que nós saibamos aproveitar essa oportunidade para rever valores e conceitos e exercitar a solidariedade. Não tenho dúvida que a gente vai dar um jeito.”