Quem convive com mais de uma criança em casa já se fez (ou já ouviu) essa pergunta: será que pais realmente têm um filho favorito? A resposta costuma vir rápida, quase automática: “Claro que não!”
Ainda assim, um estudo divulgado pela Parents indica que a realidade é um pouco mais complexa.
A pesquisa analisou dados de mais de 19 mil participantes em diferentes países.
O objetivo foi entender, entre outras coisas, se fatores como ordem de nascimento, gênero, personalidade e temperamento influenciam a forma como pais se relacionam com cada filho.
E o resultado acendeu um alerta importante, especialmente para famílias com mais de uma criança.
O filho favorito existe sim
Segundo o estudo, pais podem demonstrar preferência por um filho sem perceber.
Seja, por exemplo, na forma de atenção, cobrança, permissões ou até mesmo afeto. Isso não significa amar menos os outros filhos, mas revela padrões sutis que se repetem no dia a dia.
Os dados apontam que, em média, filhos mais velhos e meninas tendem a receber tratamento mais favorável. Além disso, crianças vistas como mais “tranquilas”, “obedientes”, organizadas ou cooperativas também costumam ser percebidas (naturalmente) de forma mais positiva pelos pais.
Com o passar do tempo, essas diferenças podem se tornar rotina e é exatamente aí que mora o risco.
Por que isso acontece na prática?
A parentalidade é atravessada por cansaço, expectativas e vivências pessoais. Crianças mais velhas, por exemplo, costumam ter mais autonomia, o que pode ser interpretado como maturidade ou facilidade no convívio.
Já filhos com temperamento mais desafiador ou muito agitados, exigem mais energia emocional e olhar vigiante, o que nem sempre é simples de administrar.
Além disso, muitos pais repetem modelos aprendidos na própria infância, mesmo sem perceber.
Ou seja, não é sobre culpa, e sim sobre consciência.
As crianças percebem quando há um favorito?
Curiosamente, o estudo mostra que pais conseguem reconhecer quando favorecem um filho, mas as crianças nem sempre identificam isso de forma consciente. Ainda assim, outros levantamentos já associam o favoritismo parental a impactos importantes, como:
- aumento da ansiedade infantil
- baixa autoestima
- conflitos entre irmãos
- vínculos familiares fragilizados ao longo do tempo
Ou seja, mesmo quando não é verbalizado, o desequilíbrio pode ser sentido.
O que fazer se você percebe esse padrão em casa?
A boa notícia é que pequenos ajustes já fazem diferença. O próprio autor do estudo reforça que o objetivo da pesquisa não é gerar culpa, mas incentivar uma revisão honesta da dinâmica familiar.
Alguns caminhos possíveis incluem:
- Observar o próprio comportamento, especialmente em situações de conflito ou elogio.
- Garantir tempo de qualidade individual com cada filho, respeitando as fases de cada um.
- Evitar comparações, mesmo em tom de brincadeira.
- Praticar a escuta ativa, acolhendo sentimentos sem minimizar ou rotular comportamentos.
Além disso, vale lembrar: tratar os filhos de forma justa não significa tratá-los de forma igual.
Cada criança é única e reconhecer isso fortalece, sim, os vínculos.