Quem está grávida provavelmente já sentiu o bebê se mexer, virar ou dar aquele chute inesperado na barriga. Embora esses movimentos sejam parte do desenvolvimento fetal, eles podem se tornar bastante desconfortáveis, especialmente nos últimos meses da gestação. Mas será que um chute mais forte pode machucar os órgãos da mãe?
Segundo especialistas, os movimentos do bebê não costumam ter força suficiente para provocar lesões nos órgãos internos maternos. Isso acontece porque o corpo possui estruturas que ajudam a absorver os impactos, protegendo tanto a gestante quanto o bebê.
A ginecologista e obstetra Marcelle Thimoti explica que o líquido amniótico, as membranas, a musculatura do útero e a parede abdominal trabalham juntos para reduzir a força dos movimentos.
“O líquido amniótico amortece o movimento do bebê e distribui a força do impacto. A parede do útero é muscular, elástica e resistente, e absorve boa parte da energia do chute. O resultado é que a força que chega aos demais órgãos é muito pequena”, explica.
Por que os chutes do bebê doem mais no fim da gravidez?
Conforme a gravidez avança, o bebê cresce e o espaço dentro do útero fica mais limitado. Ao mesmo tempo, o organismo materno passa por diversas adaptações para acomodar esse crescimento. O aumento do útero pode pressionar órgãos próximos, deslocar o diafragma e provocar desconforto na região das costelas.

Entre essas alterações está a diástase abdominal, caracterizada pelo afastamento dos músculos retos do abdômen, algo comum durante a gravidez.
“Estudos indicam que gestantes no terceiro trimestre com maior diástase apresentam mais dor lombar e maior impacto nas atividades diárias. Quanto mais fracos os músculos abdominais, maior a instabilidade”, aponta a especialista.
A posição do bebê influencia onde a mãe sente dor?
Sim. A posição em que o bebê está dentro do útero pode influenciar a região onde a gestante percebe os movimentos com mais intensidade.
Quando o bebê está de cabeça para baixo, posição conhecida como cefálica, os chutes podem ser sentidos principalmente na parte superior da barriga, perto das costelas.
Já quando está em posição pélvica, com a cabeça voltada para cima, os movimentos podem provocar maior pressão na região da pelve e da bexiga.
Mulheres que passaram por cirurgias abdominais anteriores, como cesáreas, também podem sentir repuxamentos devido às cicatrizes e possíveis aderências nos tecidos.
O que fazer para aliviar o desconforto dos chutes?
Algumas medidas podem ajudar a tornar o fim da gestação mais confortável.
Mudanças frequentes de posição, exercícios de mobilidade e atividades como hidroginástica podem contribuir para aliviar desconfortos musculares e posturais, desde que sejam adequados à condição de saúde da gestante e liberados pelo profissional que acompanha o pré-natal.
Em determinadas situações, o uso de cintas elásticas flexíveis também pode oferecer suporte à barriga.
No entanto, essas medidas não garantem que o bebê mude de posição ou deixe de pressionar determinada região.
Quando a dor na gravidez merece atenção?
Embora os movimentos fetais possam causar dores passageiras, nem todo desconforto durante a gestação deve ser atribuído aos chutes do bebê.
Dores intensas ou persistentes, especialmente na parte superior do abdômen ou abaixo das costelas do lado direito, podem estar associadas a complicações que precisam de avaliação médica, como a pré-eclâmpsia.
Outros sinais de alerta incluem dor de cabeça intensa, alterações na visão e inchaço repentino. Por isso, mesmo que os chutes façam parte da rotina da gravidez, é importante observar mudanças no padrão de movimentos do bebê e não ignorar sintomas diferentes do habitual.