Por Luíza Lopes 06/11/26

Na correria do dia a dia, a diversão costuma ficar para quando sobrar tempo. Afinal, entre trabalho, casa e compromissos, a brincadeira acaba perdendo espaço na rotina das famílias. No entanto, brincar e rir com os filhos também é uma forma de cuidar. Por isso, no Dia Nacional do Riso, celebrado em 6 de novembro, vale olhar para isso com mais atenção, sem transformar a diversão em mais uma obrigação.

Além do mais, esses encontros não exigem muito tempo. “Às vezes, cinco minutos de uma brincadeira com presença e interesse abrem um espaço de conexão que uma longa conversa não conseguiria naquele momento”, explica a psicóloga Vanessa Abdo Benaderet, mãe da Laura e do Rafael. Quando pais e filhos brincam juntos, compartilham atenção, prazer e cumplicidade. Nessa troca, o adulto entra no universo da criança, acompanha as ideias dela e se deixa surpreender, e é isso que constrói intimidade e confiança. “A criança percebe: ‘Meu pai ou minha mãe gosta de estar comigo’”, diz. 

O efeito dessa convivência aparece até na vida adulta. Um estudo piloto da Universidade Estadual da Pensilvânia (Penn State), publicado em 2024, ouviu 312 adultos sobre a infância. Entre os que foram criados por pais que usavam humor, 50,5% disseram ter uma boa relação com eles. Por outro lado, entre os que não tiveram essa experiência, o índice foi de 2,9%.

Mãe agachada no chão do quarto, rindo com o filho pequeno
O vínculo também precisa de encontros que vão além dos cuidados, das orientações e das cobranças (Foto: Magnific)

Leveza diante da frustração

O humor também mostra à criança que uma situação difícil pode ser vivida de mais de um jeito. Se a torre de blocos desaba, por exemplo, o adulto pode reconhecer a raiva do filho. Em seguida, se houver abertura, pode brincar: “Será que precisamos contratar um engenheiro para essa obra?”. Assim, a frustração continua acolhida, mas surge uma saída. “A criança também precisa poder ficar triste ou irritada, sem sentir que tem de transformar tudo em alegria”, pondera a psicóloga.

Na hora da birra, vale o mesmo cuidado: no auge da emoção, uma piada pode aumentar a irritação. Por isso, o primeiro passo é acolher e manter o limite, só depois a brincadeira entra como convite.

Rir com os filhos, nunca deles

Sarcasmo, imitação do choro, apelidos constrangedores e piadas sobre o corpo ou os medos da criança podem humilhar, alerta Vanessa. Portanto, se ela demonstra incômodo, é hora de parar. “Brincadeira só é brincadeira quando todas as partes estão se divertindo. O deboche humilha, afasta, dói!”

Pai deitado no sofá batendo as mãos com a filha, que ri sentada sobre ele; rir com os filhos fortalece o vínculo
Não precisa de muito para a diversão acontecer (Foto: Magnific)

Além disso, rir com os filhos não precisa virar obrigação. A diversão aparece em momentos simples da rotina, sem preparo nem programação especial. Muitas vezes a própria criança já faz o convite, e o adulto só precisa encontrar um espaço para entrar. Confira algumas formas de fazer isso:

  • Fazer uma voz engraçada durante a história
  • Cantar uma música de um jeito diferente
  • Dançar enquanto o jantar fica pronto
  • Contar, cada um, uma situação divertida do dia
  • Entrar numa brincadeira que a criança começou
  • Nos dias de mais cansaço, sentar perto, ouvir e trocar carinho

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