Quando uma mulher descobre que está grávida, uma das primeiras preocupações é garantir que ela e o bebê estejam bem e seguros durante toda a gestação. E, ao longo dessa jornada, o pré-natal se torna a base para o cuidado da saúde materna e fetal. Em uma das mais recentes orientações do Ministério da Saúde, foi recomendado que todas as gestantes façam suplementação de cálcio para prevenir problemas graves, como a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia, condições relacionadas à hipertensão. Esses problemas podem ser responsáveis por nascimentos prematuros e até mortes maternas e fetais.
Mas, por que o cálcio é tão importante para a gestação? Vamos entender!
Como o cálcio pode ajudar a prevenir eclâmpsia?
A pré-eclâmpsia é um problema grave, geralmente causado pela pressão alta, e a eclâmpsia pode levar a complicações mais sérias. O cálcio é um nutriente essencial para a regulação do metabolismo e o controle da pressão arterial. Com a suplementação diária de cálcio, é possível reduzir o risco dessas complicações, promovendo uma gestação mais segura e saudável tanto para a mãe quanto para o bebê.
A recomendação do Ministério da Saúde é que todas as gestantes, a partir da 12ª semana de gestação, tomem dois comprimidos de carbonato de cálcio (1.250 mg) por dia até o momento do parto. Isso garante a ingestão de 1.000 mg de cálcio elementar por dia, quantidade mínima necessária para prevenir complicações relacionadas à hipertensão.
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A inclusão do cálcio no pré-natal
A novidade da orientação é que, agora, a prescrição do cálcio será feita de maneira universal. Anteriormente, apenas gestantes com risco de hipertensão ou outras complicações recebiam a prescrição. A mudança foi feita com base em pesquisas que mostram que, no Brasil, tanto adolescentes quanto mulheres adultas consomem menos da metade da quantidade recomendada de cálcio.
Esse ajuste tem como objetivo reduzir as taxas de morbimortalidade materna e infantil, principalmente entre as populações negra e indígena, que têm enfrentado mais dificuldades com complicações relacionadas à hipertensão. Vale lembrar que, em 2023, quase 70% das mortes causadas por hipertensão foram entre mulheres pretas e pardas.
A importância do acompanhamento médico
Com essa recomendação, as gestantes devem ficar atentas aos horários de ingestão dos suplementos, já que o cálcio e o ferro não devem ser tomados juntos, pois um pode prejudicar a absorção do outro. O cálcio, por exemplo, deve ser tomado em um momento diferente do ferro, que é outro suplemento fundamental durante a gravidez, assim como o ácido fólico, que já é prescrito universalmente desde 2005.
Em alguns casos, quando há risco aumentado de complicações, como gestantes com pressão alta crônica ou diabetes, o acompanhamento médico deve ser ainda mais rigoroso. Nesses casos, a combinação do cálcio com o AAS (ácido acetilsalicílico) pode ser indicada para ajudar a prevenir a pré-eclâmpsia.
Casos famosos e a relevância da prevenção
Recentemente, o caso da cantora Lexa, que enfrentou complicações graves após o nascimento de sua filha Sofia, chamou a atenção para a importância de se monitorar de perto a pressão arterial durante a gravidez. Sofia faleceu três dias após o parto prematuro, provocado por uma grave forma de pré-eclâmpsia com síndrome de Hellp.
Este caso trágico destacou a urgência de medidas preventivas e de acompanhamento adequado, o que torna ainda mais crucial a adoção do protocolo recomendado pelo Ministério da Saúde. Afinal, a prevenção de complicações como a pré-eclâmpsia pode salvar vidas, e o cálcio se revela um aliado importante nesse processo.